sábado, dezembro 23, 2006

BOND BEGINS

Filme do agente 007, o que você espera? Aquela tradicional musiquinha? Uma abertura cheia de contornos de corpos femininos? Boas seqüências da ação num roteiro não tão bom assim? Um James Bond de cabelos escuros e ares de “pegador” esnobe? Um ajudante de vilão excêntrico que enfrentará o intrépido 007 perto do final? Um vilão principal que quer dominar o mundo? Gostosíssimas bond girls com muitas curvas e pouco cérebro? Um James Bond infalível semelhante a um super-herói? Mentiras risíveis de tão absurdas? E um final com o irresistível Bond levando mais uma gostosa para seu “abatedouro” enquanto o MI6 tenta localizá-lo? Se você espera tudo isso, certamente terá uma boa surpresa com o 21º filme da série, chamado 007 - Cassino Royale (Casino Royale).

O referido filme conta a história do início da carreira do espião mais carismático do cinema. Na trama, Bond acabou de receber a permissão para matar em nome da Inglaterra, passando a ser um agente com o duplo zero. No melhor estilo Batman Begins, esta película tem como pretensão não só mostrar as origens do famoso espião, como também fundar um novo paradigma para o personagem. Seria o nascimento do James Bond dos anos 2000, mais adaptado à nova realidade e, principalmente, adaptado ao gosto do público mais jovem. Uma verdadeira revolução na franquia 007.

Neste sentido, podemos dizer que o filme é muito bem sucedido. O James Bond interpretado pelo loiro e questionadíssimo Daniel Craig não é mais aquele ser sem imperfeições, sem dilemas, que faz piadinhas depois de matar alguém. Trata-se agora de um Bond mais humano, que se incomoda com as matanças das quais participa, que se apaixona sinceramente. Mas, paradoxalmente, é o 007 mais violento e furioso de todos. Apesar de seus dilemas internos, ele está pronto para agir. Outro traço de humanidade são os seus erros. Não é mais aquele cara que sempre tira um coelho da cartola e resolve com facilidade as situações mais insolúveis. É um Bond que tem que suar e manchar de sangue a camisa. E que algumas vezes quebra a cara! Não há superpoderes e tecnologias mentirosas que garantam a vitória fácil. O famoso agente passa por apuros. É o fim das cenas de ação previsíveis, que o público sempre sabia como iam terminar. Sempre sabíamos que Bond faria coisas do arco da velha e resolveria tudo sem desmanchar seu belo penteado. Agora as cenas de ação são tensas e eletrizantes. Cassino Royale devolveu o brilho aos filmes de James Bond, pelo menos por enquanto.

Outro ponto positivo da produção é o roteiro muito bem construído, fugindo das armadilhas de carros invisíveis e bond girl que rouba a cena do protagonista só porque é interpretada por atriz oscarizada. Felizmente o legado negativo da bobagem Um Novo Dia para Morrer foi deixado para trás. É um roteiro bem azeitado. As cenas de ação são perfeitamente integradas ao restante da trama. Diferente de filmes anteriores onde um arremedo de trama era só uma desculpa para cenas de ação pirotécnicas e tolas. Não podemos esquecer de ressaltar o ótimo trabalho de Daniel Craig, calando a multidão de fãs da série (incluindo este que vos escreve) que se deixaram levar pelo preconceito e criticaram antes de apreciar o trabalho do ator. Craig pegou o Bond andando com muita personalidade. Não se abateu pela avalanche de críticas e criou um estilo próprio para interpretar o personagem. É um Bond mais econômico nos gestos, mais sério, talvez um pouco mais sombrio, sem, no entanto, perder as excelentes sacadas cômicas, o cinismo e a elegância. Ousaria dizer que é o melhor Bond depois do mestre Sean Connery.

Obviamente nem todos os clichês da série foram abandonados. Isso retiraria a identidade do filme. Claro que as mentiras estão lá, só que agora não tão absurdas quanto antes. A bond girl está lá, mas seu papel tradicional é totalmente subvertido, sem, entretanto, roubar a cena do protagonista. Os belíssimos carros e cenários não poderiam faltar. Afinal, é um filme de 007! Apesar disso, um outro acerto do roteiro foi flertar com vários clichês da série para abandoná-los no final. Em determinado ponto pensamos que será tudo como nos anteriores, mas depois podemos perceber a ousadia daqueles que produziram o filme. É como se estivessem dizendo: “É possível fazer um bom filme de James Bond sem ser repetitivo e apelar para determinados clichês!”. E realmente é!

Como fã incondicional da série, mas não um fã xiita, que se fecha para as novidades, declaro para todos lerem e me cobrarem: Cassino Roayle é um dos melhores filmes de toda a série! Resta agora a torcida para que os produtores não venham a se acovardar e sigam este novo paradigma de James Bond nos filmes vindouros. Seria uma pena voltar ao esquema desgastado de antes, depois de ver uma evolução tão grande em Cassino Royale. Que Bond consiga fugir desta armadilha!

12 Comments:

  • O que mais posso dizr a respeito de Cassimo Royale? você ja disse tudo! Talvez a única mudança que eu faria seria na escolha da bond girl (não sei o que todo mundo está vendo em Eva Green). No mais, o melhor da série (se tomarmos Sean Connery como Hours Concours). Espero que agora que eles conseguiram salvar a franquia eles tomem vergonha na cara e façam as coisas direito daqui para frente. E, por favor, um pedido de desculpas dos fãs da franquia ao ator Daniel Craig faz-se necessário (o cara é extraordinário!). Abraços do crítico da caverna.

    By Anonymous Roberto Queiroz, at 12:33 PM  

  • Este pedido de desculpas é realmente necessário, Roberto. Craig fez um excelente trabalho! E tomara que a série realmente siga por este novo caminho apontado em Cassino Royale.

    By Blogger Evandro C. Guimarães, at 3:00 PM  

  • Fico feliz por saber que partilho da opinião de um fã conhecedor da série. Agora que a série se desvencilhou daqueles exageros do filme anterior, ela vai renovar o interesse dos fãs e atrair novas parcelas de público, e o salto de qualidade é bastante relevante. Evolução é mesmo a palavra certa para definir CASSINO ROYALE.

    Cumps.

    By Blogger Gustavo², at 10:08 PM  

  • Cara, estou louco para ver Cassino Royale. Sempre achei que o ator Daniel Craig seria um bom James Bond. E já ouvi falar que as cenas de ação do filme são muito mais realistas que as exageradas dos outros filmes da série. Quero ver urgentemente!!!

    By Blogger CINEMA FOR ALL!!!!!!!, at 11:30 PM  

  • Só espero que eles continuem neste caminho, Gustavo. Seria uma pena voltar a fórmula batida de antes.
    Veja mesmo, "cinema for all", as cenas de ação são menos exageradas e muito mais emocionantes. Há muito tempo não se fazia um filme do agente 007 com tanta qualidade.
    PS: Para os amigos que frequentam o RESTINGA MUSICAL, informo que já temos um novo texto no ar!

    By Blogger Evandro C. Guimarães, at 9:36 AM  

  • Sócio, considerando Cassino Royale como um prelúdio das aventuras de James Bond, apóio totalmente a sua defesa pelas mudanças feitas neste filme, particularmente, com relação ao perfil do protagonista. Como diria M, 007 já estava virando um dinossauro da Guerra Fria. Contudo, penso que os roteiristas das futuras seqüências devem ter muito cuidado em suas tentativas de tornar Bond mais de acordo com as exigências dos novos tempos. Características tradicionais do personagem não podem ser sumariamente eliminadas, sob o risco de transformar o agente secreto mais famoso do cinema em um mero clone de Jack Bauer ou Jason Bourne. Por mais interessantes que estes personagens possam ser, é preciso deixar claro quem é o original e quem são as suas cópias modernizadas. Além disso, também espero que o que foi estabelecido nos filmes anteriores seja respeitado. Um reset em 4 décadas de série seria um verdadeiro crime, não acha?

    By Blogger Paulo Assumpção, at 10:56 PM  

  • Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    By Blogger Victor Nassar, at 4:29 PM  

  • Concordamos em relação a necessidade de mudanças, sócio. Confesso que não tenho tantas reservas quanto você em relação as mudanças. Tudo que venha para tornar os filmes do agente 007 mais consistentes e emocionantes é bem vindo, desde que não descaracterize o personagem. E creio que esta descaracterização não ocorreu em Cassino Royale.
    Seja bem vindo, Victor.

    By Blogger Evandro C. Guimarães, at 8:05 PM  

  • Ainda não pude ver o filme!
    Mas to muito ansioso por todas as críticas positiva que já ouvi!
    Confesso que não tava muito animado quando soube que o Daniel Craig iria fazer o James Bond, mas depois de tanto elogiarem parece que a escolha não o absurdo que eu achava! E também fico muito feliz por esse novo caminho que o filme parece ter tomado, menos caricáto! De resto, só vendo agora! Abraço.

    By Blogger Victor Nassar, at 7:04 PM  

  • Daniel Craig faz mesmo um ótimo trabalho, Victor. Assista o filme, pois a nova linha adotada neste título tornou a série muito mais emocionante.

    By Blogger Evandro C. Guimarães, at 8:55 PM  

  • Paulo e Evandro, cá está, a mais "relapsa" de todas as suas leitoras... digo isso, porque quero vir aqui, com tempo, para ler suas resenhas, críticas, elogios, etc, e acabo não vindo. Espero que me entendam. Até porque, eu não vou tanto ao cinema como os que por aqui passam, e nem me habilito a fazer comentários tão pertinentes como os que fazem aqui...
    Bem, mas o que me traz aqui é a vontade de desejar ao meu blog afilhado, e a seus "donos", um ano novo próspero, e vida muito longa a todos que deste blog fazem parte, de alguma maneira. E mais, os desejos de sempre: muita saúde, paz, alegria e amor, para todos... e mais sucesso, sempre!!! Boas festas. Beijos pra vocês! (Ah, "estou dentro" do encontro de blogueiros... mas se o assunto for só cinema, vou ficar meio calada... :o)

    By Blogger Lena Gomes, at 12:11 AM  

  • Grande Evandro,
    Se eu fosse fazer um post sobre o novo 007, seria algo bem parecido com o seu. Quando eu li a crítica de O Globo, com quem quase nunca concordo, me admirei quando o cara disse que este era o "Batman Begins" dos filmes do Bond. E ele está coberto de razão. Não dá para comparar com nada feito antes, nem com o Sean Connery, que é O James Bond de todos nós. Tudo o que que veio depois do Connery era pastiche, comédia, algumas coisas até interessantes, mas nada a ver com ESTE personagem que nos foi apresentado no Cassino Royale. Eu também fui ver doido pra detestar, achando que esse Daniel Craig tinha mais cara de vilão russo de filme de 007 do que o próprio James. Quebrei a cara. O cara é bom. Muito bom. Criou, como você bem disse, um novo paradigma para o personagem. (Achei emblemática a cena do garçom perguntando a ele se o martini era mexido ou batido e ele respondendo "o que me importa?"). Eu incluí o filme como um dos destaques de 2006, no Antigas Ternuras. Um forte abraço.

    By Blogger Marco Santos, at 1:21 AM  

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