sábado, julho 01, 2006

MAR EM FÚRIA

Na década de 1970, as salas de cinema foram assoladas por uma série de filmes que mostravam desastres aéreos, incêndios, tremores de terra, inundações, avalanches, erupções vulcânicas, ataques de insetos assassinos... Era a onda dos filmes-catástrofe. Um dos grandes produtores deste tipo de fita foi Irwin Allen, criador de populares seriados de ficção científica da TV, como Perdidos no Espaço (Lost in Space), Viagem ao Fundo do Mar (Voyage to the Bottom of the Sea), Túnel do Tempo (Tha Time Tunnel) e Terrra de Gigantes (Land of the Giants). Em 1972, Allen praticamente inaugurou o gênero ao levar às telonas O Destino do Poseidon (The Poseidon Adventure), que narrava as desventuras dos passageiros e tripulantes de um transatlântico emborcado por uma onda gigante em pleno reveillon. O filme marcou época por virar os cenários de cabeça para baixo.

Décadas depois, a tragédia do Poseidon está de volta aos cinemas em uma refilmagem que naufragou nas bilheterias norte-americanas. Por aqui, no entanto, este remake tem feito sucesso, com uma história que é basicamente a mesma do original. O que muda são as vítimas, digo, personagens. Ou seja, no momento em que se comemora a chegada do Ano Novo, o luxuoso transatlântico é atingido por uma “onda traiçoeira” (conceito supostamente plausível aos olhos da ciência). Com os conveses invertidos, alguns dos sobreviventes tentam desesperadamente chegar às partes inferiores, ou melhor, superiores do navio onde poderão escapar do mesmo antes que termine de naufragar. Se no filme de 72, eles eram liderados por um religioso, agora o são por um carinha de caráter duvidoso. No grupo atual ainda há um heróico ex-bombeiro e prefeito de Nova York (!) e um homossexual.

A boa recepção de Poseidon no Brasil por parte do público não encontra correspondência nas críticas pouco abonadoras que tem recebido. Há quem já o eleja o pior filme do ano. Particularmente, não compartilho de tais opiniões. Longe, mas muito longe, de ser uma obra-prima, o filme dá para o gasto enquanto um produto de entretenimento. Está certo que os diálogos são ridículos e que cada frame corresponda a um clichê. Ainda assim, é possível se assombrar com os excelentes efeitos visuais (a seqüência do desastre já está entre as melhores produzidas pelo cinema) e se segurar na poltrona diante das tensas situações nas quais os personagens se envolvem ao buscar um meio de sobreviver àquela tragédia. Aliás, a mesma ganha tons mais realistas do que no original com os corpos que aparecem em diversas cenas.

A bem da verdade, Poseidon é melhor digerido se encarado como um representante digno de seu gênero. Todos os elementos típicos do cinema catástrofe – um dos meus favoritos – estão presentes. Excetuando pelas costumeiras apresentações dos personagens, que normalmente tomam a hora inicial do filme (o ritmo acelerado do atual cinema norte-americano parece não permitir mais tal coisa), Poseidon traz uma catástrofe de grandes proporções, personagens sendo progressivamente eliminados, coadjuvantes de luxo (Kurt Russell, Richard Dreyfuss), uma solução para lá de inverossímel e uma boa dose de aventura. Aliás, em essência os filmes-catástrofe sempre foram mesmo uma variante do cinema de ação.

11 Comments:

  • Grande Paulo,
    Eu sinceramente não entendo porque refilmam filmes relativamente recentes e que não tem de ser refilmados. Ainda há pouco, fizeram um novo A profecia, que me recusei em assistir, já prevendo uma bomba de um milhão de megatons. Ainda estou em dúvida se vou ver esse Posseidon, refilmagem de um dos melhores filmes de ação que vi. Minha intuição me diz que ele vai ser um sério candidato ao meu Prêmio Refrigerente sem Gás e sem Gelo 2006...
    Um abração!

    By Blogger Marco Santos, at 11:52 AM  

  • É, sócio, a julgar pelas suas palavras, o gênero catástrofe ainda não afundou de vez(eh trocadilho ridículo!). De repente vou dar uma conferida neste seu novo representante!

    By Blogger Evandro C. Guimarães, at 3:56 PM  

  • Infelizmente os produtores de O Destino do Poseidon (o original, com Gene Hackman) devem estar se sentindo traídos e usados. Tudo por conta desse fiasco do novo Poseidon, de Wolfgang Petersen (que, por sinal, está se especializando em estragar grandes histórias: veja os exemplos de Mar em Fúria e Tróia). O que é a porcaria desse novo Poseidon? um filmeco de quinta com pouco mais de uma hora e meia de projeção, sem brilho, cujo único artista que se salva no elenco (não por seu papel no filme, mas por sua contribuição ao longo da carreira com grandes atuações) é o sumido Richard Dreyfuss. No mais, guardem seu dinheiro. Vem coisas boas por aí. É só esperar: Dreamgirls, A Dália Negra, The Good German, A Scanner Darkly, The Departed, Youth without youth, entre outros. Abraços do crítico da caverna.

    By Anonymous Roberto Queiroz, at 10:13 AM  

  • Grande Paulo,
    Fui assistir ao Poseidon. Confesso que fui precavido, acreditando se tratar de uma mega-bomba. Bem, se não é nem de leve como o original, também não faz a gente querer se afogar no vaso sanitário do cinema. Bons efeitos, algumas cenas bem feitas e só. Escapou por pouco de entrar na minha lista de piores.
    Se o Roberto Queiroz me permite um pitaco, a filha do (falecido) Irwin Allen, produtor do filme original, também faz produção executiva para esse Poseidon. O velho não só vai se revirar no túmulo como vai puxar o pé da filha desnaturada.
    E esse negócio de abrir cotas nos filmes para negros, homossexuais, latinos...está ficando chato, né não?
    Outra coisa: vi o trailer do novo Superman. E só posso dizer: ai, meu caramba! Botar a Lois Lane com filho????? Ah, pelamor de Deus!!! Já começamos mal!!! Agora é conferir se o Lex Luthor do Kevin Spacey é melhor que o do Gene Hackman. Sei não...Estou com um mal pressentimento...
    Um abraço!

    By Blogger Marco Santos, at 3:48 PM  

  • Muito legal seu blog!!! E concordo com a sua critica sobre "Poseidon".. Também montei recentemente um blog de cinema..Peço que de uma olhada..

    http://blogdocinefilo.blog.terra.com.br/

    By Anonymous Ze, at 2:07 AM  

  • Desta vez ficou entre a parcela que recebeu com mais amenidade o filme, Paulo. Apesar de ser óbvio que não passaria de tolice esperar algo mais que entretenimento rasteiro vindo do novo filme de Petersen, ele pareceu tosco demais. Além dos personagens rasos, o elenco principal também não era atraente.
    Fica para uma sessão em DVD...

    Cumps.

    By Blogger Gustavo H.R., at 12:29 PM  

  • Grande Marco, as justificativas de praxe para uma refilmagem são as de apresentar para novas gerações a história original e utilizar todo um arsenal de técnicas e efeitos inimagináveis no passado. A primeira, é puro blábláblá. Afinal, se alguém quer conhecer um filme clássico, basta assisti-lo em DVD. A segunda, parece que se aplica bem ao novo Poseidon. Se bem que esta onda de remakes não passa de um atestado de falta de criatividade e ousadia em Hollywood. Quanto ao Super, também não me impressionei muito com o trailer, mas continuo a acreditar no filme. As primeiras críticas – positivas – me deixam ainda mais animado. E se você já está arrancando os cabelos por conta do filho da Lois, prepare-se para ficar mais careca do que o Lex Luthor, pois, pelo que estou sabendo, esta é somente a ponta de um iceberg...

    Sócio, se ainda não o fez, assista Poseidon sem medo de uma catástrofe de filme (minha contribuição à série “trocadilhos ridículos”). Porém, aconselho mesmo que invista seu suado dinheirinho em Carros. No momento, o melhor filme-pipoca em cartaz.

    Roberto, já que você salva do que considera um desastre o Richard Dreyfuss por conta de seu passado, então vou bancar o advogado de defesa de Wolfgang Petersen. De fato, seus trabalhos recentes passam longe do brilhante, mas ele ainda merece algum respeito pelo que fez no início da carreira. Se ainda não assistiu ao alemão O Barco, fica a dica. É a prova de que o cara entende de histórias em alto-mar. O problema é que Petersen pode estar se afogando nas águas tumultuadas da indústria de cinema norte-americana.

    Ze, seja bem-vindo ao Cinelândi@! Fico feliz em saber que apreciou este nosso humilde espaço virtual. Aguarde minha visita ao seu!

    Gustavo, de fato faltou um quê a mais neste Poseidon. Ainda assim, penso que o saldo final da tragédia é o seguinte: entre mortos e feridos salvaram-se todos... Bem, nem todos! :-D

    Amigos, aquele abraço!

    By Blogger Paulo Assumpção, at 6:34 PM  

  • da té inveja de ler os textos aqui :D

    um dia vou escrever assim! :D

    []´s

    By Anonymous Jedi, at 10:40 AM  

  • Jedi, recebo de bom grado estas suas palavras de elogio, embora me considere apenas um mero padawan na arte da escrita. :-D
    Que a Força esteja com você!

    By Blogger Paulo Assumpção, at 8:52 PM  

  • Concordo com você Paulo: Poseidon (o remake), deve ser encarado como um entretenimento sem grande importância. O Marcos Santos está certo. Esse negócio do "politicamente correto", tá ficando chato. Mas em um filme- catástrofe, não poderia deixar de ter. Beijos!

    By Anonymous Ana Lúcia, at 1:00 PM  

  • eu gostei muito do filme e ate mesmo comprei ele para eu ver todos os dias eu quero dar os parabens ao direto desse filme

    By Anonymous Anônimo, at 5:01 PM  

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