UM ÉPICO DIVINO

A bem da verdade, foi uma aposta bastante arriscada da MGM, do tipo “ou tudo ou nada”. Os executivos da Metro abriram os cofres e deram total apoio logístico para que a fita se transformasse em um espetáculo capaz de arrebatar multidões para as salas de cinema. Por conta disso, a produção de Ben-Hur ganhou uma dimensão bíblica. Tudo era superlativo, dos milhares de extras aos sets colossais. Só a pré-produção do filme consumiu cerca de um ano e transformou em um canteiro de obras a lendária Cinecittà, em Roma, onde foram rodadas seqüências antológicas, como a corrida de quadrigas. Como se não bastasse, utilizando-se de uma estratégia que soa bem atual, a Metro promoveu uma gigantesca campanha de marketing, responsável pela criação de uma verdadeira ben-hurmania. Ben-Hur virou filme consagrado antes mesmo de chegar às telas. Ou melhor, telonas!

Porém, como toda mega-produção, a de Ben-Hur não foi um Paraíso. O produtor do filme, Sam Zimbalist (que também participou da versão de 1926), não agüentou o tranco, teve um ataque cardíaco e faleceu no meio das filmagens. O roteiro, originalmente escrito por Karl Tunberg, estava repleto de trechos que desagradavam ao diretor William Wyler e precisou ser reescrito. Trabalho que coube, em boa parte, ao escritor Gore Vidal. É dele, por exemplo, o subtexto que coloca os amigos e, depois, antagonistas Ben-Hur (Charlton Heston) e Messala (Stephen Boyd) como antigos amantes. Uma idéia ousada para a adaptação de uma história que tem como subtítulo “Um Conto do Cristo”. Polêmicas à parte, o que mais chama à atenção no texto do filme é a sua qualidade. Percebe-se todo um cuidado para que os diálogos sejam poéticos e falem para além do que aparentemente querem dizer.
Outros destaques de Ben-Hur são a impressionante riqueza de detalhes das imagens (exigência de uma época em que a TV começava a roubar público do cinema); a trilha sonora de Miklós Rózsa, majestosa, sem ser apelativa; as intensas emoções despertadas pelo primoroso trabalho de Wyler; e a temática de fé, que - é bem verdade -, acompanha um modismo da época, mas nunca resvala para a apologia desta ou daquela religião.
Com tantos acertos, Ben-Hur mais do que cumpriu o objetivo que levou à sua refilmagem. Faturou alto nas bilheterias; recebeu diversos prêmios, entre eles 11 Oscars (marca nunca superada e apenas igualada recentemente por Titanic e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei); foi alçado à condição de um dos filmes mais populares de todos os tempos; influenciou toda uma geração de cineastas, dentre os quais se destacam George Lucas e Ridley Scott; e, em especial, nos traz uma mensagem mais do que necessária aos nossos tempos: só podemos ser realmente felizes sem ódio no coração.
7 Comments:
Meu xará:
Ultimamente,instaurei a prudência de ser homeopático em meus comentários para que não me fique o estigma de exagerado.
Isto posto,não é possível reprimir: teu texto foi algo assim de muito viçoso,transbordante de esclarecimentos deitados em deleite do bem-dizer. (Mil perdões pela displicência: Você é jornalista?)
Quanto a Ben-Hur,eu pretendo rever o quanto puder,se possível retrocedendo o "slow motion",para não escapar-me a mais minuciosa bagatela do perfeccionismo. É um Sétima Arte-A.
Homossexual assumido,Vidal não poderia mesmo deixar de encaixar um erotismo másculo na mega-produção. Mas se foi para melindrar,propositadamente,convicçõ-es íntimas da fé de cada um,ele errou o alvo,já que o que escandaliza mesmo é a plenitude de requinte alojada na mão de aço e pluma do exuberante Wyler!
Abraço pascoalino.
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Anônimo, at 1:56 PM
A falta do negrito para Vidal não foi discriminação: cada um dá o que tem. E eu nem aí!
Inté!
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Anônimo, at 2:02 PM
Não estava ciente do tamanho dos problemas que enfrentaram para produzir esse clássico.
O filme é uma boa pedida para a Páscoa, inclusive.
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Gustavo H.R., at 8:39 PM
grande filme. Engracado que fiz ha poucos anos atras. E geralmente quando vejo filmes classicos nao tem o mesmo impacto que esse teve. Boa lembrança.
[]´s a todos
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Anônimo, at 4:20 PM
fiz nao, vi :P
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Anônimo, at 4:21 PM
Paulo, Ben-hur é o épico. E olha que eu já assisti milhares (El Cid, Lawrence da Arábia, Spartacus, A Queda do Império Romano, Quo Vadis, entre tantos outros). Charlton Heston não se tornou o ícone do cinema da época à toa. Gostei muito do seu blog. Pretendo voltar mais vezes. Também tenho um blog sobre cinema. Se quiser conferir meu humilde espaço, fique à vontade. Abraço. P.S: Ah, ja que comentei a respeito de El Cid - também com Heston - dê uma conferida. É sensacional também.
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Anônimo, at 6:19 PM
Paulo,junto com 'Quo Vadis', Ben-hur é um dos meus "clássicos históricos" preferidos...ótimo verificar que você conseguiu resumir perfeitamente a grandiosidade desse belíssimo filme!
Abraços
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Anônimo, at 11:04 PM
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