sexta-feira, setembro 08, 2006

VIDA LONGA E PRÓSPERA - 40 ANOS DE JORNADA NAS ESTRELAS:
A Terra Desconhecida

Hoje é dia de festa! Ao menos para uma parcela da humanidade para quem as aventuras siderais de Kirk, Spock e cia. significam alguma coisa. Há exatos 40 anos, foi ao ar, pela rede de TV norte-americana NBC, o episódio O Sal da Terra (The Man Trap). Embora não tenha sido o primeiro produzido, foi escolhido pela emissora para estrear o seu então mais novo show: Jornada nas Estrelas (Star Trek). Desde então, a série transcendeu o meio para o qual foi criada, se transformando em franquia lucrativa e fenômeno cultural.

O elenco original do seriado esteve à frente deste sucesso por duas décadas, até que, em 1987, uma nova geração de personagens levou adiante a saga dos heróis da Frota Estelar na telinha. A empatia que eles encontraram junto ao público, o fiasco do longa Jornada nas Estrelas V e o fator tempo – capaz de fazer os tripulantes clássicos da nave Enterprise parecerem velhos demais para estripulias pela galáxia –, levaram os executivos da Paramount Pictures a aposentar a equipe liderada pelo capitão Kirk (William Shatner). Felizmente, com direito a um filme de despedida, batizado de A Terra Desconhecida (Star Trek VI - The Undiscovered Country), em mais uma referência de Jornada à obra de William Shakespeare.

A história, bolada por Leonard Nimoy (também produtor executivo) e Nicholas Meyer (também diretor), responsáveis por Jornada nas Estrelas II e Jornada nas Estrelas IV, os então mais bem sucedidos filmes da cinessérie, faz um paralelo com o contexto histórico do fim da Guerra Fria, no melhor estilo do seriado, caracterizado por discutir temas polêmicos do mundo real em uma roupagem sci-fi. Assim, à beira da aposentadoria, a tripulação da Enterprise precisa escoltar o líder dos alienígenas klingons até uma conferência interestelar onde a paz entre nós e eles está para ser selada. Quando o político é assassinado, a culpa recai sobre Kirk e o Dr. McCoy (DeForest Kelley). Cabe ao Sr. Spock provar a inocência dos companheiros e garantir que a paz seja feita.

Dedicado a Gene Roddenberry, falecido um pouco antes da estréia do filme nos cinemas, Jornada nas Estrelas VI pode assustar alguns fãs mais ortodoxos por mostrar que há algo de podre na Federação Unida de Planetas. Numa contradição à ingênua utopia do criador da série, aqueles que deveriam ser os mocinhos declaram abertamente seu ódio aos supostos inimigos e até mesmo não hesitam em compactuar com estes para a manutenção do status quo. Diferente do que havia sido mostrado até então à audiência de Jornada, mesmo no distante século XXIII, a humanidade ainda precisa superar preconceitos para provar que seus valores são tão evoluídos quanto a sua tecnologia. Sem dúvida, uma visão mais realista acerca da nossa espécie e que, mesmo assim, mantém, com o desenrolar da trama, a esperança de que podemos vir a ser melhores.

Concebido como um filme de encerramento da missão da tripulação original da nave Enterprise, Jornada nas Estrelas VI não decepciona. Inicialmente programada para durar cinco anos, durou cinco vezes mais. Seria então presumível que, após um quarto de século, os protagonistas se apresentassem modificados pela viagem. É justamente o que ocorre neste longa. Kirk supera a morte do filho. Spock aceita suas emoções. Sulu (George Takei) é promovido. Os demais são premiados com uma merecida aposentadoria. Um ciclo é fechado, mas outro é apontado. A presença de Michael Dorn, como um antepassado de seu personagem em A Nova Geração já indicava que o bastão estava sendo passado para um renovado elenco. O belo monólogo final de Kirk reforça esta idéia e emociona até o trekker mais empedernido. Quando as assinaturas do elenco principal aparecem na tela, encerrando a fita, lágrimas já estão rolando. Bela e digna despedida da Jornada clássica.

3 Comments:

  • Clap, clap, clap, clap! Urrúúúú!
    Magistral, grande Paulo! Nem ousaria retocar a brilhante resenha. Os trekkers unidos deveriam acompanhar as suas rsenhas de cada um dos filmes da série. Muito bom!
    Em tempo: comprei por 9,90, nas Lojas Americanas (do Rio Sul), o livro "Jornada nas Estrelas - Memórias", de William Shatner. Não li, mas talvez tenha algumas coisas interessantes.
    Um abração e bom fim de semana!

    By Blogger Marco Santos, at 6:05 PM  

  • Detesto ser repetitivo, sócio, mas só posso declarar, novamente, que não tenho muito a acrescentar. Novamente uma resenha perfeita e perpassada pela mais sincera admiração por Jornada. Cabe apenas registrar que este longa, além das qualidades que você apontou, tem uma das melhores músicas de abertura da série!

    By Blogger Evandro C. Guimarães, at 10:10 PM  

  • Geralmente não escrevo comentário nos textos apaixonados de Paulo sobre STAR TREK porque sou completamente clueless a respeito do assunto e portanto nada tenho a acrescentar, mas depois desta decidi me iniciar no universo de Spock & cia e pegar o primeiro filme, de Robert Wise para assistir.
    Afinal, com um culto desse tamanho dedicado a esse fenômeno, deve ser mesmo algo muito especial.

    Cumps.

    By Blogger Gustavo H.R., at 1:12 PM  

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